
Segundo um artigo da Emerald no International Journal of Productivity and Performance Management, sobre aplicação do ROI para medir e avaliar investimentos de capital humano, foi descoberto que o ROI é interpretado de forma tricotômica, ou seja, sob três perspectivas diferentes:
- – Metaforicamente: como um desejo de valor (Qual é o valor buscado, desejado desse investimento? É algo além do financeiro, é mais conceitual)
- – Literalmente: como uma métrica
- – Processualmente: como um método para planejar e avaliar investimentos
Mas, como isso se aplica ao desenvolvimento de software sob encomenda?
Seguindo essa tricotomia o cliente não compra apenas mais um software, mas ele obtém valor, que é a primeira perspectiva de análise do ROI. O que é importante e valioso para o cliente que decide contratar uma empresa de desenvolvimento de software?
- – Redução de custos operacionais?
- – Maior captação de leads?
- – Gestão baseada em dados em tempo real?
- – Redução de tempo de espera do seu cliente final?
- – Melhor comunicação entre setores?
Todos esses exemplos levantados são valores essenciais para a saúde de uma empresa. Em um bate-papo no Flow Podcast, o empresário Flávio Augusto explica muito bem o conceito de ROI:
“O valor de face, ou seja, o valor absoluto, não diz nada. Ah, eu vou pagar R$5.000 (cinco mil reais), isso é caro ou barato? Depende principalmente de um fator, qual é o ROI que esse produto vai te dar. Qual é o retorno que esse produto vai te dar?
– Empresário Flávio Augusto, em entrevista ao Flow Podcast
Todo produto ou serviço vai te dar algum retorno, seja em prazer, seja em status, ou, seja em lucro financeiro propriamente dito. Por exemplo, se eu fizer um curso de inglês e aprender a falar inglês eu vou ter acesso a empregos que pagam mais, ou seja, dá lucro, dá lucro financeiro… uma pessoa que compra uma bolsa da Chanel, vai pagar U$50.000 (cinquenta mil dólares) numa bolsa, ela não vai ganhar esse dinheiro de volta. Ela não vai ter lucro… Mas, por que alguém compra um produto de grife que é mais caro? Ele compra autoestima. Ele compra pertencimento a um grupo social. Ele compra status. Ele compra posicionamento.”

Nessa explicação do empresário podemos ver o valor conceitual carregado no ROI, pois o valor não é apenas financeiro, mas o impacto positivo causado. Pode incluir diversos tipos de benefícios que a organização espera ao investir. No caso de uma empresa que investe em software bem arquitetado o impacto já começa no time e na cultura da empresa.
Segunda Perspectiva do ROI: Análise Literal
Já a segunda perspectiva é analisar o ROI de forma literal, como métrica mesmo. Aqui a empresa pode calcular quanto foi investido no software e o quanto economizou e ganhou financeiramente.
Uma dica valiosa que o SEBRAE dá para realizar o cálculo do ROI é que além de levantar todos os custos que envolveram a ação que está sendo analisada (no nosso caso o desenvolvimento de software sob encomenda), em relação a receita gerada também devem ser somados todos os valores obtidos a partir desse software ou MVP (Minimum Viable Product – Produto Mínimo Viável em português), ou seja, toda receita obtida direta ou indiretamente com a implementação da tecnologia. Como por exemplo:
- – Redução de tarefas repetitivas e manuais
- – Menor taxa de erro
- – Maior taxa de captação de leads e assim maior taxa de conversão de clientes
- – Melhor gestão de equipes seja interna ou externamente: Número de atendimentos realizados por atendente, Número de Ordem de Serviços (OSs) realizadas por agentes externos
- – Taxa de FCR (First Contact Resolution)
Para calcular o ROI a fórmula é:

Por exemplo, se a empresa pagou R$20.000 em um MVP e obteve o retorno ou lucro de R$70.000 o cálculo do ROI seria:
ROI = (Lucro obtido – Investimento) / Investimento x 100
ROI = (70.000 – 20.000) / 20.000 x 100
ROI = 250%
Ou seja, o retorno ou lucro obtido neste exemplo foi de 250% sobre o valor investido.
Terceira Perspectiva do ROI: Análise Processual
Continuando a tríplice do ROI, temos a última perspectiva que é processual como um método para planejar e avaliar investimentos, ou seja, neste aspecto o ROI é uma ferramenta de gestão que serve para planejar, acompanhar e avaliar investimentos, garantindo que o recurso aplicado traga o máximo de valor possível.
É como um caminho estruturado para garantir que o investimento gere valor. Antes do projeto começar há planejamento e definição de objetivos claros, como por exemplo:
- – Diminuir erros operacionais
- – Mapear os custos e recursos necessários, como licenças, servidor, domínio, etc
Ao ter clareza dos objetivos, é preciso acompanhar o desenvolvimento do software, ou seja, monitorar indicadores intermediários como:
- – Qualidade das entregas realizadas (bugs que surgem durante o desenvolvimento e que são resolvidos)
- – Feedback contínuo do cliente para validar o andamento do sistema
- – Ajuste no escopo ou nas funcionalidades com base em dados e não simplesmente em percepções
Considerando tempo para avaliar o ROI
Tendo como base sólida esse tripé do ROI, é preciso entender que a sua avaliação exige um prazo adequado para que os resultados se tornem visíveis e mensuráveis. Embora alguns impactos positivos possam ser percebidos já nos primeiros meses de implementação do sistema, como a adoção inicial pelos usuários, melhorias na eficiência de processos ou economias de custos, os benefícios mais consistentes surgem ao longo de um período maior.
Assim, é importante equilibrar a análise de ganhos de curto prazo com uma visão de retorno sustentável no médio e longo prazo, ajustando o acompanhamento de acordo com a complexidade do projeto, o setor de atuação e a capacidade interna da empresa.
Conclusão
O ROI vai muito além de um simples cálculo, ele precisa ser analisado em seus três eixos, ou seja, de forma metafórica, literal e processual. Ainda que a implementação de um software bem arquitetado, ou seja, um software que possui qualidade técnica, confiabilidade, segurança, escalabilidade e desempenho gere resultados iniciais, o valor agregado, a métrica financeira e o mapeamento de processos precisam ser avaliados não apenas focando ganhos iniciais, mas principalmente os benefícios que só surgem no longo prazo.
ROI é como uma maratona e não uma corrida de 100 metros.